quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Black Mirror: virtualidade e responsabilidade

Artigo escrito pela Psicóloga Fernanda Guimarães e pelo Especialista em Sociologia Roberto Guimarães.


AVISO: o texto abaixo contém SPOILERS.

O último episódio da segunda temporada da série Black Mirror, denominado Waldo Time, retrata a popularidade de um personagem criado por computação gráfica, o urso Waldo. Ele faz parte de um programa de televisão e entrevista convidados. Com sua maneira debochada e linguagem informal, deixa constrangido e sem respostas um de seus convidados, um político. O fato chama tanto a atenção que decidem lançar Waldo como candidato. A possibilidade de lançar um urso virtual às eleições é uma questão que merece atenção por si só e não está muito distante de nossa realidade política, que, por exemplo, já contou com animais em seus quadros de concorrentes. Mas o que nos interessa discutir é a relação de virtualidade e responsabilidade. 
O indivíduo responsável por dar vida ao Waldo possui uma personalidade aparentemente bastante distinta da demonstrada por ser seu personagem; parece tímido e inseguro em alguns momentos e procura evitar o confronto. Por outro lado, em um debate com outros candidatos, o urso Waldo, ou, melhor, a imagem do urso em uma tela colocada no palco, insulta os oponentes sem receios. Neste caso, o personagem possibilitou ao criador manifestar comportamentos que aparentemente não condizem com sua identidade e que não teria coragem de expressar despido da identidade de urso.

O mesmo acontece frequentemente nas redes sociais virtuais: indivíduos agem na rede de maneiras inconsistentes com a forma de ser presencial.

Todas as imagens utilizadas nos artigos foram extraídas do Google Imagens