quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Enemy – O Homem Duplicado: o retrato da massificação

Artigo escrito pela Psicóloga Fernanda Guimarães e pelo Especialista em Sociologia Roberto Guimarães.


AVISO: o texto abaixo contém SPOILERS.

O filme O Homem Duplicado é supostamente uma adaptação para o cinema do livro homônimo de José Saramago. É de se esperar que uma adaptação promova alterações no original, afinal, uma cópia fiel do livro talvez não funcionasse bem para as telas. Porém, para quem leu o livro, o filme pode ser bastante desapontador.
O tema é aparentemente o mesmo. Um indivíduo de meia idade que vive uma vida “apagada” se depara com um indivíduo fisicamente idêntico em uma cena de um filme que assistia. A semelhança é tão espantosa que ele inicia uma busca para contatar seu duplo. Suas vidas se cruzam e a curiosidade de um sobre a vida do outro leva às piores consequências.
Infelizmente, no filme, a relação de similaridade entre os protagonistas não fica tão clara como no livro, o que pode levar a conclusões parciais sobre um tema tão interessante. Ambos mostram que não há explicações biológicas para a igualdade, como o caso de gêmeos que foram separados no nascimento, por exemplo. Porém, diferentemente do filme, no final do livro fica mais transparente que a semelhança da qual compartilhavam os protagonistas era existencial. 

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